quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A uma Mulher..


Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito

nu sôbre o teu peito.

Estavas trêmula o teu rosto pálido e as tuas mãos

frias.

E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.

Tive piedade do teu destino que era morrer no meu

destino.

Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne.

Quis beijar-te num vago carinho agradecido.

Mas quando meus lábios tocaram teus lábios.

Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo.

E que era preciso fugir para não perder o único

instante.

Em que foste realmente a ausência de sofrimento

em que realmente foste a serenidade.



Autor: Vinicius de Moraes

Um comentário:

Pearl disse...

Tu...és serenidade daquela muito inquietante.

mais beijos